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Financiamento colaborativo #1: Uma nova forma de financiar cultura – o poder da colaboração

Diego Reeberg Junho 9, 2011 DIário de Viagem 9 Comentários
Sejamos diretos: pra quem faz cultura, um assunto interminável e indispensável é o tal do dinheiro: de onde ele virá e o que faremos pra consegui-lo são perguntas certas no planejamento de qualquer projeto. No Brasil, três soluções, todas enfrentando algumas ressalvas, sempre foram as mais comuns:

1 – Captar via editais púbilcos – é bom, mas o volume não é lá muito grande para o tanto de projetos possíveis e só alguns poucos sortudos acabam levando essa grana;

2 – Convencer empresas a financiar seu projeto via leis de incentivo – e ele ter que ser parte moldado aos interesses dessas organizações:

3 – Empreender –  ou seja “vender cerveja no bar do teatro para produzir a peça”, como muito bem explicou  aqui o jornalista Lucas Pretti.

Mas os tempos mudam e novas possibilidades surgem. Com a internet cada vez mais enraizada em toda a sociedade e, também, essa sociedade cada vez mais organizada em rede, emergiu, no começo desse ano (pelo menos aqui no Brasil, lá fora o movimento já existe há 2 anos), uma nova oportunidade. O financiamento colaborativo (ou se preferir, o termo em inglês é crowdfunding) é, da maneira mais intuitiva possível, o tradicional “passar o chapéu”, mas agora no mundo online. É fazer uma vaquinha, através de uma plataforma na Internet, entre gente que admira seu trabalho (fãs, amigos, familiares, clientes). É, de forma mais ampla, quando várias pessoas contribuem financeiramente, a partir de pequenas quantias, para ajudar a viabilizar um projeto.

Hoje, já são pelo menos 20 plataformas de financiamento colaborativo no Brasil. A primeira delas foi lançada em Janeiro de 2011, o que mostra o quão recente é o mercado. Mundialmente, a grande referência é o site norte-americano Kickstarter que, em pouco mais de 2 anos de funcionamento, já financiou quase 10 mil projetos, com mais de 60 milhões de dólares.

A maioria dessas plataformas funcionam de forma semelhante. O proponente envia um projeto e tem que:

a) Explicar qual é o seu projeto;
b) Definir a quantidade de dinheiro que irá possibilitar a realização do seu projeto;
c) Definir um prazo para captá-lo;
d) Espalhar a sua ideia para a sua rede;
e) Recompensar (com mimos como CDs, DVDs, participação na sua peça, uma réplica do seu trabalho artesenal, etc.) a multidão que o apoiou (e as contribuições podem começar com valores bem baixinhos como R$ 5).

Algo que é digno de se tomar nota é o modelo Tudo-ou-Nada que as plataformas abraçaram. Nele, o proponente do projeto só receberá a grana se conseguir captar pelo menos o valor que ele pediu por inteiro. Se conseguiu 60% do que tinha pedido, ele não leva nada e todo dinheiro é devolvido para quem contribuiu com o projeto, ou seja, como o nome diz: é Tudo ou Nada!

E aí você pensa: “Ok, muito legal esse modelo novo, mas isso é pra mim?”

Pensando na realidade brasileira e no que já tem feito sucesso por aqui, os projetos variam de algo entre R$ 1mil e R$ 50mil – quanto mais o modelo se firmar e se disseminar, maiores serão os valores que conseguirão ser levantados. Mas, se, no seu caso, o projeto for bem maior, o financiamento colaborativo pode ser a solução pra financiar parte dele (só a prensagem do CD, só a mixagem do longa metragem, etc.).

E se engana quem pensa que, assim que o projeto for pro ar, virão pessoas dos quatro cantos do País para apoiá-lo. O sucesso da campanha depende imensamente do trabalho do autor do projeto. Quem quer captar dinheiro desta forma, tem que se enxergar como um empreendedor cultural, como alguém que faz as coisas acontecerem, que sabe se comunicar bem, consegue explicar o porquê que o seu projeto precisa acontecer, fazer com que as pessoas tenham um desejo por contribuir para a sua causa.

É um caminho novo, diferente, exige uma nova forma de trabalhar, e te deixa mais livre, mais independente, e talvez seja o melhor caminho pra você tirar seu projeto do papel e circundar ele de pessoas empolgadas em fazerem esse seu sonho acontecer.

Acho que dessa apresentação inicial já dá pra ter um bom entendimento do que é financiamento colaborativo e, principalmente, suscitar várias dúvidas. Nas próximas semanas continuaremos com essas discussões, mas os comentários do post estão abertíssimos para prolongá-la diariamente.

Semana que vem a gente conversa um pouco mais sobre as particularidades de cada plataforma que atuam no Brasil, pra ajudar a vida de quem quer ter seu projeto financiado coletivamente.

Crédito da imagem: People por Mollicles420

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Sobre o Autor

Empreendedor apaixonado por tecnologia, educação e por discutir como viver bem. Um dos fundadores do Catarse, a primeira plataforma para financiar projetos criativos de forma colaborativa, e um dos editores do blog CrowdfundingBR, fundado pra promover e educar as pessoas sobre essa modalidade de financiamento no Brasil.

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9 Comentários

  1. Rafaela Cappai Junho 9, 2011 at 6:07 pm

    Bacana demais, Diego!
    Acho que é uma grande chance nossa aprender com sua experiência!
    Eu mesma já tô alinhando alguns projetos pra tentar via financiamento colaborativo.
    Já tô esperando o próximo post e mais uma vez obrigada pela gentileza e generosidade em compartilhar com a gente! Até semana que vem!

  2. Vinícius Lacerda Junho 16, 2011 at 12:48 am

    Muito esclarecedor o post sobre financiamento colaborativo. Eu mesmo já ajudei um projeto apenas por acreditar em sua importância. Este meio de conseguir dinheiro para projetos culturais, acredito eu, gera um ponto muito positivos para os produtores: a liberdade para produzir o evento, sem ficar se atendo a burocracia das leis de incentivo e também as exigências de patrocinadores.

    • Rafaela Cappai Junho 16, 2011 at 9:13 am

      Verdade Vinícius! Facilita muitíssimo os trâmites, principalmente com as plataformas providenciando todas ferramentas de pagamento e afins, como é o caso! Minhas mãos já estão coçando para lançar uma ideia por lá, mas vou esperar as dicas do Diego para fazer direitinho! ;)

  3. Diego Borin Reeberg Junho 16, 2011 at 10:45 am

    Concordo contigo também Vinícius!

    Daqui a pouquinho coloco no ar um post falando sobre as plataformas que ajudam esses projetos a acontecerem no Brasil. =)

  4. Maria Paula Julho 7, 2011 at 2:32 pm

    Excelente texto! Quanto mais a gente esclarece, mais espalha a idéia. O que me encanta no Financiamento Colaborativo, além da liberdade, é a essencia por trás dele: a de que a união faz a força, de que pequenos gestos podem fazer grandes diferenças! A gente precisa disso! :)

    (vou compartilhar seu post – com o devido crédito – no meu blog, ok?)

    Obrigada!

  5. Diego Borin Reeberg Julho 9, 2011 at 2:22 pm

    Maria Paula, por favor! =)

    Quanto mais gente espalhar a ideia, melhor. ;)

  6. Iolanda Roeles Fevereiro 11, 2013 at 2:51 pm

    Achei fantáscica forma de apoio financeiro para as ONGs que estão inciciando suas atividades e seus projetos pilotos…Irei inovar projetos para participação da ONG que eu presido:Associação Recreativa dos Funcionários Públicos do Estado do Rio de Janeiro.