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Financiamento colaborativo #2: Plataformas brasileiras em ação e seus diferenciais

Diego Reeberg Junho 16, 2011 DIário de Viagem 14 Comentários

Depois de ter pincelado de forma mais geral o que é crowdfunding no primeiro post dessa série, hoje o tema é de caráter mais prático: mostrar quais são as plataformas existentes no Brasil e as diferenças entre elas. A ideia é ajudar vocês a escolherem aquela que melhor se encaixa com os seus projetos. Desde que o movimento começou no Brasil, no ínicio do ano, vários sites já surgiram e alguns devem ser lançados nos próximos meses. Como é um modelo muito novo, os próprios negócios podem mudar a forma de trabalhar daqui pra frente. Vou sempre tentar manter esse post atualizado conforme novas plataformas entrarem no mercado e de acordo com as mudanças que elas promoverem. Antes de falar sobre elas, tem uma característica bem importante que é comum a todas: o Tudo ou Nada. Como eu já sobre isso no texto anterior, se você ainda não leu, dá uma olhadinha lá pra entender melhor isso. Pra falar sobre as plataformas todas, achei que o melhor jeito seria contar um pouco sobre cada uma delas. E, pra ser mais justo, vou listá-las em ordem alfabética.

Escopo dos projetos selecionados: é um dos mais abragentes, a ideia do site é promover projetos que tenham impacto positivo – seja algo maior, com um impacto internacional, ou mesmo o impacto na vida do próprio dono do projeto. Podem ser projetos sociais, culturais, profissionais e por aí vai.

Taxas: É a única plataforma do mundo que não cobra taxa nenhuma dos projetos. Só são cobradas as taxas do MoIP (que processa os pagamentos), que são de R$ 0,39 por transação + taxa entre 1,3% a 4,9% do valor arrecadado pelos projetos bem sucedidos, dependendo da forma de pagamento utilizada pelos colaboradores.

Meios de pagamento: trabalha com o MoIP e aceita boleto bancário, transferência eletrônica (via Internet banking), cartão de débito e cartão de crédito (emitidos no Brasil). O valor é cobrado assim que o pagamento é feito. Caso o projeto não seja bem-sucedido, ele é estornado.

Particularidades: é a única plataforma que aceita também contribuições não-financeiras para os projetos. Nas palavras do próprio pessoal do Benfeitoria, é “uma mistura de crowdfunding com outras modalidades de crowdsourcing, que permitem que o dono do projeto converta o entusiasmo coletivo gerado pela proposta em colaborações para outras demandas que o projeto apresente, além de dinheiro (ex. prestação de serviços de design, envio de materiais, etc).”

Data de lançamento: 28 de abril de 2011

Escopo dos projetos selecionados: o Catarse trabalha com projetos criativos, em três principais áreas: projetos culturais, jornalísticos, empreendedores. Pra ficar mais palpável, já entraram projetos de várias categorias que permeiam alguma dessas áreas: arquitetura, arte, artes plásticas, cinema e vídeo, culinária, circo, comunidades, dança, design, fotografia, jornalismo, literatura, música, teatro e web.

Taxas: Além da taxa do meio de pagamento (R$ 0,39 + 1,9% até 5,4% por transação, feitas pelo MoIP), o Catarse cobra 5% dos projetos bem-sucedidos.

Meios de pagamento: É o MoIP e a situação é a mesma descrita ali em cima sobre o Benfeitoria.

Particularidades: É a plataforma pioneira no Brasil. Também é que já postou e financiou mais projetos. Até agora entraram 75 projetos no ar e dos 34 que tiveram o prazo encerrado, 24 foram bem sucedidos. Foi a primeira plataforma no mundo a deixar seu código de desenvolvimento livre, pra possibilitar que todo mundo que quer ter sua própria plataforma de crowdfunding possa ter um bom ponto de partida.

Data de lançamento: 17 de janeiro de 2011.

Escopo dos projetos selecionados: A Embolacha é um braço da Bolacha Discos e, até por isso, trabalha com um foco mais voltado a projetos musiciais, de gravação de CDs a fazer festivais acontecerem.

Taxas: Fica com 15% do que for arrecadado para os projetos bem-sucedidos (impostos e taxa do meio de pagamento já inclusos na conta).

Meios de pagamento: trabalha com o iPagare e só aceita pagamento de cartão de crédito (Visa e MasterCard). A cobrança dos valores dos apoios só são feitas se o projeto for bem-sucedido.

Particularidades: é a única com o foco só em música. Só trabalha com projetos de valor mínimo de R$3.000.

Data de lançamento: 11 de maio de 2011.

Escopo dos projetos selecionados: Não tem um foco específico, pode ser qualquer tipo de ideia ou projeto. Mesmo assim, a maioria dos projetos estão relacionados com a área cultural.

Taxas: No total, são 15%, sendo que 9,6% ficam para o Incentivador.com e os outros 5,4% para o Paypal (que processa os pagamentos).

Meios de pagamento: Trabalha com o Paypal e só aceita cartões de crédito. Como no Embolacha, só há a cobrança efetiva do valor caso o projeto seja bem-sucedido. Os pagamentos podem ser tanto nacionais como internacionais.

Particularidades: Pra você inscrever um projeto, precisa ser uma Pessoa Jurídica. E logo logo eles prometem colocar no ar a possibilidade de projetos incentivados, onde as pessoas físicas poderão incentivar o projeto e abater o valor do seu imposto de renda.

Data de lançamento: 17 de março de 2011.

Escopo dos projetos selecionados: também tem o foco em projetos criativos – que podem ser culturais, sociais, esportivos, entre outros – mas a grande maioria dos projetos é da áreal cultural.

Taxas: são 5% para a administração do site e mais 7% para as transações financeiras.

Meios de pagamento: utiliza tanto o MoIP como o Paypal (aceita pagamentos internacionais). Os pagamentos são feitos apenas por cartão de crédito.

Particularidades: Teve o projeto que, até agora, conseguiu arrecadar o maior valor via crowdfunding no Brasil: o projeto do grupo Sururu na Roda, que levantou mais de R$35 mil.

Data de lançamento: 3 de março de 2011.

Escopo dos projetos selecionados: Projetos que tenham finalidade coletiva, pública, ou artística.

Taxas: para projetos brasileiros, só são descontadas as taxas do Paypal (cerca de 6%).

Meios de pagamento: utiliza Paypal, aceitando tanto cartões de crédito nacionais como internacionais.

Particularidades: é, de longe, o que tem maior peso em nível internacional. Já são mais de 200 projetos aprovados, vindos de 25 países diferentes, com apoios de pessoas de cerca de 80 países.

Data de lançamento: 5 de maio de 2011 (no Brasil, em outros países já funciona desde 2010).

É lógico, esses fatores que eu listei acima são aqueles onde as diferenças podem ser classificadas de uma forma um pouco mais estruturadas. Tem vários pormenores, como, por exemplo, forma de atendimento, qualidade na prestação do serviço, que é muito difícil classificar desta forma (e uma análise minha soaria incoerente, já que eu também sou sócio de uma delas).

Pra finalizar o post de hoje, deixo duas dicas pra testar esses critérios mais subjetivos: 1) Converse com pessoas que já tiveram projetos nas plataformas. Elas poderão te dar uma opinião menos enviesada porque o interesse delas, assim como o seu, é sobretudo do lado do projeto ter uma boa ferramenta pra poder arrecadar o dinheiro necessário pra acontecer. 2) Faça o contato com as plataformas por email ou através de mídias sociais. Talvez daí você consiga bons feedbacks sobre velocidade, forma de trabalhar, qualidade de serviço e outras coisas mais.

Agora, se restaram dúvidas ou sugestões sobre esse cenário de sites no Brasil, já sabem, né? Usem e abusem dos comentários pra fazermos essa conversa render ainda mais. =)

Crédito da imagem: Money por BountyList

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Sobre o Autor

Empreendedor apaixonado por tecnologia, educação e por discutir como viver bem. Um dos fundadores do Catarse, a primeira plataforma para financiar projetos criativos de forma colaborativa, e um dos editores do blog CrowdfundingBR, fundado pra promover e educar as pessoas sobre essa modalidade de financiamento no Brasil.

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14 Comentários

  1. Tati Leite Junho 16, 2011 at 7:26 pm

    Beautiful, Diego! Valeu pelas palavras sobre a benfeitoria! =)

  2. Paulo Monte Junho 16, 2011 at 9:36 pm

    Ótimo texto Diego! A lista esta aí, agora é o publico escolher uma das plataformas e colocar a mão na massa!!

  3. Rafaela Cappai Junho 17, 2011 at 10:32 am

    Muito bom conhecer cada uma das plataformas!
    Obrigada por reunir essas informações pra gente, Diego!

  4. priscila guedes Junho 17, 2011 at 1:41 pm

    extraordinario!

  5. Rafaela Cappai Junho 20, 2011 at 12:46 pm

    Que bom que gostou Priscilla!

  6. Isabel Lacerda Junho 22, 2011 at 5:55 pm

    Muito bom os esclarecimentos, Diego. Para o Catarse ficar mesmo o melhor, só falta receber contribuiçõe sinternacionais. Grande abraço.

  7. Mauro Band Julho 24, 2011 at 10:15 pm

    Participo do núcleo RJ da Associação Brasileira de Captadores de Recursos – ABCR – . Gostaria de convidar os empreendedores dos sites listados nesta reportagem para uma palestra sobre o assunto financiamento coletivo. Ela se dará em outubro, em data a ser acordada, em nossa cidade.
    Caso haja interesse, favor contatar-me. Abraços.
    Mauro.

    • Rafaela Cappai Julho 26, 2011 at 8:50 pm

      Olá Mauro.
      Encaminhei sua mensagem ao Diego, autor do post.
      Acredito que ele entrará em contato com você.
      Um abraço.

  8. Gilvando Silva Fevereiro 9, 2012 at 11:20 pm

    Eu pretendo mudar o mundo. Fazer dele um lugar melhor.
    E o social e coletivo é o foco principal, para transformar ideias em realidade, visando o bem de todos e a recompensa pelo apoio.

  9. Wagner Merije Abril 23, 2013 at 1:12 am

    Rafa, parabéns pelos trabalhos, estão super interessantes!